Passiflora: para que serve, como usar e quais cuidados tomar

A Passiflora é utilizada na fitoterapia principalmente para sintomas leves de ansiedade, estresse e dificuldade para dormir. Veja o que mostram os estudos, como usar e quais cuidados são importantes.

Neste artigo

Sobre o autor
Henrique Kendi

Henrique Kendi

Farmacêutico e Bioquímico
Acupunturista

Escrevo sobre saúde, Medicina Chinesa, terapias naturais e movimento.

Sobre o autor

Passiflora para que serve? A Passiflora incarnata é uma planta medicinal utilizada principalmente para sintomas leves de ansiedade, nervosismo, estresse e dificuldade para dormir. Além do uso tradicional, existem estudos clínicos em humanos investigando seus efeitos sobre ansiedade e sono.

Ela pertence ao mesmo gênero botânico dos maracujás, mas isso não significa que qualquer espécie de maracujá tenha o mesmo efeito medicinal. Na fitoterapia, a espécie utilizada, a parte da planta, a forma de preparo e a concentração do produto fazem diferença.

Por isso, entender o que existe por trás do nome “Passiflora” ajuda tanto a escolher uma preparação adequada quanto a utilizar a planta com mais segurança.

Passiflora para que serve?

A Passiflora para que serve principalmente como recurso fitoterápico relacionado a sintomas leves de ansiedade e estresse e como auxiliar em dificuldades de sono.

O Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira descreve a Passiflora incarnata como ansiolítico e sedativo leve.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) também reconhece preparações da planta para aliviar sintomas leves de estresse mental e auxiliar o sono, com base em seu uso tradicional de longa duração.

Na prática, ela costuma ser procurada por pessoas que apresentam:

  • nervosismo ou inquietação;
  • dificuldade para relaxar;
  • ansiedade leve;
  • estresse mental;
  • dificuldade para iniciar ou manter o sono.

Essas situações são diferentes de quadros intensos ou persistentes de ansiedade e insônia, que podem precisar de uma avaliação mais ampla.

Passiflora é a mesma coisa que maracujá?

Não exatamente.

Passiflora é o nome de um gênero botânico com centenas de espécies. O maracujá-amarelo comum na alimentação pertence principalmente à espécie Passiflora edulis.

Já grande parte das preparações fitoterápicas utilizadas para ansiedade e sono é baseada em Passiflora incarnata.

As duas plantas são parentes, mas não devem ser tratadas como equivalentes. A composição química pode variar entre espécies e também entre diferentes partes da planta.

Isso significa que tomar suco de maracujá ou comer a fruta não é o mesmo que utilizar um extrato, chá ou outra preparação de Passiflora incarnata elaborada para uso fitoterápico.

Ao escolher um produto, portanto, vale olhar além da palavra “maracujá” na embalagem. O nome científico da espécie é uma informação importante.

Passiflora pode ajudar na ansiedade?

Os estudos disponíveis sugerem que a Passiflora incarnata pode ajudar a reduzir sintomas de ansiedade.

Uma revisão sistemática de ensaios clínicos avaliou pesquisas com a planta em diferentes condições relacionadas à saúde mental. A maioria dos estudos incluídos encontrou redução nos níveis de ansiedade após o uso de preparações de Passiflora incarnata.

Um dos estudos mais conhecidos envolveu 36 pessoas com transtorno de ansiedade generalizada. Durante quatro semanas, os participantes receberam extrato de Passiflora ou oxazepam, um medicamento benzodiazepínico.

Os dois grupos apresentaram redução dos sintomas ao final do tratamento. O oxazepam agiu mais rapidamente, mas os participantes que o utilizaram relataram mais problemas relacionados ao desempenho no trabalho.

O resultado é interessante, mas o ensaio clínico foi pequeno e considerado piloto pelos próprios pesquisadores. Portanto, ele não prova que Passiflora e oxazepam sejam tratamentos equivalentes.

O que podemos dizer de forma mais segura é que existem sinais clínicos de efeito ansiolítico, enquanto estudos maiores ainda podem ajudar a definir melhor quais pessoas se beneficiam e quais preparações produzem os melhores resultados.

Se a ansiedade for frequente ou estiver interferindo na rotina, veja também nosso conteúdo sobre sintomas de ansiedade.

E para dormir, a Passiflora pode ajudar?

Também existem estudos interessantes sobre sono.

Um ensaio clínico randomizado com 110 adultos com insônia comparou extrato de Passiflora com placebo durante duas semanas.

O tempo total de sono aumentou aproximadamente 23 minutos no grupo que recebeu Passiflora em comparação com o placebo. Outros parâmetros melhoraram dentro do grupo tratado, mas nem todos apresentaram diferença significativa quando os dois grupos foram comparados diretamente.

Outro estudo com 41 adultos avaliou chá de Passiflora incarnata durante uma semana. Os participantes relataram melhor qualidade subjetiva do sono no período em que utilizaram o chá.

Esses resultados sugerem que a planta pode ajudar principalmente em dificuldades leves de sono. Ainda faltam estudos maiores e de maior duração para determinar melhor o tamanho e a duração desse benefício.

Como a Passiflora pode agir no organismo?

A Passiflora incarnata contém diversos compostos vegetais, entre eles flavonoides como vitexina e outras substâncias que vêm sendo estudadas por possíveis efeitos sobre o sistema nervoso.

Uma das hipóteses mais investigadas envolve o GABA, um neurotransmissor que ajuda a reduzir a excitabilidade dos neurônios.

Em experimentos laboratoriais com extrato de Passiflora incarnata, pesquisadores observaram interação com componentes do sistema GABAérgico.

Isso oferece uma possível explicação biológica para parte dos efeitos calmantes e sedativos da planta.

Esse mecanismo, porém, ainda deve ser entendido como uma explicação em estudo. Demonstrar uma interação em laboratório não significa que todo o efeito observado em pessoas aconteça exatamente pela mesma via.

Chá, cápsula, gotas e extrato são a mesma coisa?

Não. Essa é uma diferença importante na fitoterapia.

A Passiflora incarnata pode ser encontrada como:

  • infusão ou chá;
  • planta seca encapsulada;
  • extrato seco em cápsulas;
  • extrato fluido;
  • tintura;
  • formulações combinadas com outras plantas.

Cada apresentação possui uma concentração diferente. Por isso, uma quantidade de chá não pode ser simplesmente convertida em determinada quantidade de gotas ou cápsulas.

Um extrato também pode concentrar os componentes da planta de forma diferente da matéria-prima utilizada diretamente em uma infusão.

Essa é uma das razões pelas quais dizer apenas “tome Passiflora” é pouco preciso. O produto e sua concentração também fazem parte da orientação.

Para entender melhor essa diferença, veja também o artigo sobre o que é fitoterapia.

Profissional orientando paciente sobre Passiflora e uso de fitoterápicos
Espécie, apresentação, concentração e outros medicamentos em uso precisam ser considerados antes de escolher uma preparação de Passiflora.

Como usar Passiflora?

A dose depende diretamente da apresentação utilizada.

Como referência, o Memento Fitoterápico brasileiro descreve para adolescentes e adultos uma infusão preparada com 1 a 2 gramas da droga vegetal em 150 mL de água fervente, podendo ser utilizada de uma a quatro vezes ao dia.

O documento também apresenta doses específicas para outras formas, como planta encapsulada, extrato fluido e tintura. O Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira também descreve preparações oficiais de Passiflora incarnata.

Essas doses não são intercambiáveis. Um extrato concentrado, por exemplo, não deve ser utilizado na mesma quantidade de uma infusão.

Em produtos industrializados ou manipulados, a orientação precisa considerar a quantidade de extrato presente e as características da preparação.

Usar uma dose maior não significa obter um efeito melhor e pode aumentar sonolência e outros efeitos indesejados.

Passiflora pode causar sonolência?

Sim. O efeito sedativo leve faz parte das propriedades atribuídas à Passiflora incarnata.

Isso pode ser útil quando o objetivo é auxiliar o sono, mas também pode atrapalhar atividades que exigem atenção.

O Memento Fitoterápico da Anvisa orienta que, se ocorrer sonolência, a pessoa não deve dirigir veículos nem operar máquinas, porque atenção e reflexos podem ficar reduzidos.

A intensidade desse efeito varia de acordo com a pessoa, a dose e a preparação utilizada.

Passiflora pode interagir com medicamentos?

Pode. O principal cuidado envolve medicamentos que também reduzem a atividade do sistema nervoso central.

O Memento brasileiro contraindica o uso concomitante com sedativos e outros depressores do sistema nervoso central, porque os efeitos podem ser potencializados.

Isso merece atenção especial em pessoas que já utilizam medicamentos para ansiedade, insônia ou outras condições que possam causar sonolência.

O documento também cita possíveis interações com medicamentos inibidores da monoaminoxidase (IMAO) e menciona potencial interação com varfarina. A relevância clínica dessas interações não está igualmente estabelecida em todos os casos, por isso é importante avaliar a combinação individualmente.

Quem deve evitar Passiflora?

De acordo com o Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, o uso de Passiflora incarnata é contraindicado durante a gravidez e em pessoas que estejam utilizando medicamentos sedativos ou depressores do sistema nervoso central.

O documento também não recomenda o uso em lactantes, alcoolistas e diabéticos sem avaliação adequada.

Crianças exigem cuidado específico. A idade recomendada varia conforme a referência e a preparação utilizada, portanto não é indicado oferecer produtos de Passiflora a crianças simplesmente por serem considerados “naturais”.

Produtos que combinam Passiflora com outras plantas precisam de atenção adicional, pois cada ingrediente pode acrescentar contraindicações e interações próprias.

O que observar antes de comprar um produto de Passiflora?

Uma forma simples de usar fitoterápicos de maneira mais consciente é observar algumas informações no rótulo ou na formulação.

Vale conferir:

  • o nome científico da espécie;
  • qual parte da planta é utilizada;
  • a forma de apresentação;
  • a quantidade por dose;
  • se existem outras plantas ou substâncias associadas;
  • as orientações de uso e advertências do produto.

Isso é particularmente importante porque dois produtos vendidos como “Passiflora” podem ter concentrações e composições bastante diferentes.

Quando vale procurar avaliação?

A Passiflora pode fazer sentido para sintomas leves e situações pontuais, mas o padrão dos sintomas também precisa ser observado.

Ansiedade que se repete com frequência, crises, preocupação difícil de controlar ou prejuízo no trabalho, estudos e relacionamentos merecem uma avaliação mais ampla.

O mesmo vale para uma dificuldade para dormir que persiste por semanas ou meses. Insônia pode estar relacionada a ansiedade, hábitos de sono, outros medicamentos, apneia do sono e diversas outras condições.

Nessas situações, uma preparação de Passiflora incarnata pode eventualmente fazer parte do cuidado, mas o objetivo deve ser entender e tratar o problema como um todo.

Passiflora pode ser uma opção dentro da fitoterapia

Quando a pergunta é Passiflora para que serve, a resposta mais direta é que a Passiflora incarnata é utilizada principalmente para sintomas leves de ansiedade, estresse e dificuldade para dormir.

Há tradição de uso reconhecida em documentos oficiais e também existem estudos clínicos em humanos com resultados favoráveis para ansiedade e alguns aspectos do sono.

O uso se torna mais racional quando se sabe exatamente qual espécie está presente, qual preparação está sendo utilizada e se existem medicamentos ou condições que exigem cuidados adicionais.

Dentro desse contexto, a Passiflora incarnata pode ser uma opção útil na fitoterapia, especialmente quando sua utilização é feita de forma individualizada e consciente.